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Orçamento de Obras e a Norma de Desempenho – NBR 15575

Como analisar seu orçamento para adequá-lo às diretrizes da norma de desempenho (NBR 15575).

A ABNT NBR 15575 tem impacto nos custos do empreendimento em função de três tipos de alterações, se comparado ao que se praticava até então. São elas:

  • A necessidade de medições e ensaios com serviços especializados;
  • A necessidade de alterar determinados componentes e sistemas construtivos para atender aos requisitos novos trazidos pela norma;
  • A decisão da empresa de buscar soluções para níveis de desempenho mais elevados do que o mínimo em especial no desempenho acústico.

Assim as considerações a serem feitas deverão levantar os custos de:

  • Estudos específicos necessários em relação a riscos previsíveis presentes no terreno/empreendimento;
  • Ensaios de túnel de vento quando aplicável;
  • Projeto de acústica quando aplicável;
  • Medição de ruído de entorno para definição da Classe de Ruído do empreendimento;
  • Ensaios de desempenho acústico de lajes/pisos e de esquadrias;
  • Ensaios em guarda-corpos.

Alterações construtivas

Alguns custos adicionais deverão ser considerados para atender a norma:

  • Avaliação da fachada em relação ao desempenho térmico;
  • Análise da estrutura em relação a Tempo Requerido de Resistência ao Fogo;
  • Sistema de selagem contra incêndio a ser especificado pelo projeto de segurança contra incêndio;
  • Paredes que fazem divisa entre unidades quando com dormitório em pelo menos um dos lados em relação ao desempenho acústico;
  • Paredes de garagem em situação de sobressolo (parede para resistir impacto de automóveis);
  • Lajes/sistema de pisos, idem paredes;
  • Esquadrias, idem paredes;
  • Portas de entrada, idem paredes; portas de madeira em geral em relação à norma NBR 15930;
  • Impermeabilização em todo o banheiro com chuveiro;
  • Proteções térmicas em coberturas;
  • Materiais de revestimentos com índice de propagação de chamas e densidade de fumaça adequados aos critérios da norma (materiais entregues em áreas comuns e privativas quando for o caso).

Níveis de desempenho intermediário ou superior

Para empreendimentos de padrão médio alto ou alto deverão ser estudados os seguintes itens:

  • Isolamento acústico das paredes divisórias entre unidades e eventualmente embora a norma não exija em paredes internas;
  • Portas de entrada e de áreas coletivas como salões de festas por exemplo com maior capacidade de isolamento;
  • Isolamento acústico de instalações hidráulicas e equipamentos;
  • Esquadrias;
  • Sistema de piso flutuante em lajes ou revestimentos a serem entregues;
  • Maiores proteções de cobrimento em estruturas para maior vida útil: exemplo lajes de subsolos com maior cobrimento ou contrapiso.

Quer saber mais? Baixe o CHECK-LIST DE ATENDIMENTO A NBR 15.575.

Caracterização de condições de exposição e riscos previsíveis do terreno e do empreendimento (NBR 15575)

A ABNT NBR 15575 determina que sejam caracterizados os riscos previsíveis no terreno e realizados estudos técnicos necessários para mitigar estes riscos.
Entende-se por riscos previsíveis situações em que é possível ter dados ou informações que possam levar a prever certas ocorrências.

Como organizar estes riscos e condições?

É necessário então elaborar um roteiro de riscos previsíveis a serem identificados preferencialmente na compra do terreno, e para cada um deles, se constatados de fato no terreno, deverão ser indicados os estudos técnicos a serem feitos para que possam ser adotadas medidas de engenharia que mitiguem estes riscos. É importante registrar quais foram estas medidas tomadas.

Para este registro deverão ser armazenados os relatórios e/ou peças gráficas destes estudos realizados e de projetos ou outras condições adotadas como medidas de mitigação de riscos.

Condições de exposição

Para as condições de exposição já são indicadas nas diretrizes de projeto as condições de identificação de zona bioclimática a ser indicada por ocasião do cálculo de transmitância térmica e capacidade térmica e de região de vento a ser indicada no cálculo de esquadrias e no memorial de projeto de estruturas.
A medição de ruído de entorno para caracterizar a classe de ruído (classe I, II ou III) que é necessária para a especificação do desempenho acústico da esquadria deverá ser contratada pouco antes do início do projeto de arquitetura, pois a norma deixa claro que estes valores devem ser considerados com o que se constatava no terreno à época do projeto.

Como contratar os serviços de ensaio de acústica do entorno?

O ideal na contratação deste serviço é que seja realizada também a simulação computacional acústica que permite identificar como o ruído se comporta ao longo da fachada nos diversos pavimentos e, em especial, quando o empreendimento tem mais de uma torre, e observar como o ruído chega em cada torre.
O profissional contratado deverá ser capacitado em desempenho acústico e usar equipamentos calibrados, apresentando no relatório os certificados de calibração.

Itens do relatório

O relatório deverá apresentar:

  • Descrição completa com croquis dos pontos de medição, incluindo altura de medição em relação ao solo;
  • Horários em que foram realizadas as medições;
  • Descrição dos equipamentos de medição;
  • Resultados das medições;
  • Enquadramento do terreno nas condições de fachadas segundo as classes da ABNT NBR 15575 Parte 4 (Classe I, II, ou III).
  • O relatório deve ser assinado por profissional responsável com CREA ou CAU e deve ser recolhida ART ou RRT do serviço executado.

Observe fontes externas de ruídos acima do permitido!

Caso haja fonte de ruído extraordinária, que esteja gerando ruído além do ruído de tráfego, o relatório deverá apontar se esta fonte está dentro das exigências da lei (lei municipal que define níveis máximos de ruído para as zonas urbanas) ou da ABNT NBR 10151 – Acústica – Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade caso não haja lei específica.

Caso esta fonte de ruído gere a necessidade de isolamento acústico da esquadria maior que o que seria necessário sem ela, será preciso atuar junto aos órgãos competentes da administração pública, pois, o empreendimento não deve ser obrigado a custear um isolamento acústico maior das esquadrias, por causa de uma fonte que está fora da lei.

Nos casos em que a ABNT NBR 15575 Parte 4 prevê estudos específicos – quando já há estabelecidos no entorno do empreendimento aeroporto, vias férreas, estádios ou instalações esportivas, rodovias, entre outros – o valor exato a ser considerado para cálculo do isolamento das esquadrias deverá ser apresentado no relatório.

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Alvenaria estrutural: Um jeito milenar de construir

Alvenaria estrutural parece ser um método recente de construir, já que vários prédios surgiram com essa metodologia nos últimos anos. Mas será que ela foi desenvolvida, ou redescoberta?


Primeiro: O que é alvenaria estrutural?

Na verdade, é um sistema construtivo que consiste em empilhar elementos como pedras, tijolos de concreto ou cerâmica para produzir uma parede que sustentará a laje e os outros pavimentos que estiverem acima. É por isso que em prédios dessa tecnologia construtiva não se pode remover as paredes para modificar o ambiente, pois elas são a estrutura portante, a que sustenta todo o edifício.

Mas, quando falamos em construção e milenar, na mesma frase, a primeira coisa que vem à mente são as grandes pirâmides do Egito!

E sim, as grandes pirâmides também são de alvenaria estrutural, porém utilizavam pedras enormes como elemento construtivo. Hoje vamos falar de um parente antigo das pirâmides: os zigurates!

Enquanto em muitas partes do globo a humanidade ainda era basicamente nômade; no crescente fértil, região que contempla os vales do Rio Nilo, Jordão e os rios Tigre e Eufrates,  já eram produzidas estruturas maciças com tijolo de barro cru ou adobe. E isso há mais de 5.000 anos!

Os zigurates

Zigurates: construções em tijolos de barro ou adobe da região do crescente fértil (atual Iraque)

A mais monumental dessas construções são os zigurates. Trata-se de uma pirâmide truncada, entende-se que para simbolizar uma grande montanha artificial. O zigurate tinha funções de templo, proporcionava moradia para sacerdotes e eruditos das ciências, medicina, escrita e do saber.

O mais interessante é observar que nessas edificações milenares já se utilizavam técnicas complexas de construção. Uma das técnicas importantes utilizadas na construção com tijolos nos zigurates é a do intertravamento e cruzamento entre as fileiras, evitando juntas verticais contínuas. Essa técnica, provavelmente criada por esses engenheiros perdidos no tempo, é utilizada até hoje nos nossos prédios modernos, e tem como objetivo conferir mais rigidez e resistência à parede ou muro construído.

Outra técnica presente nos zigurates é a amarração das alvenarias nos cantos das paredes, entrecruzando numa e noutra direção perpendicular as pontas e as laterais dos tijolos em cada fiada.

Em destaque: o entrecruzamento perpendicular nas quinas das paredes

As alvenarias ainda eram argamassadas com uma mistura primitiva de betume e areia do deserto, dois materiais abundantes nesta região da Mesopotâmia.

O mais famoso desses templos primitivos é o chamado zigurate de Ur, construído na cidade de mesmo nome por volta do ano 3.000 ac, mais de 5.000 anos atrás.

Zigurate de Ur, construído na cidade de mesmo nome há mais de 5.000 anos!

Então, na próxima vez que você ver um prédio em alvenaria estrutural, perceba na edificação de hoje a genialidade dos construtores do passado.

Fontes consultadas: A História das Construções, Volume 1: Da pedra lascada às pirâmides de Dahchur


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O risco nas fachadas dos edifícios

Quedas de peças de fachada ameaçam a segurança de moradores e pedestres

Na quarta-feira de cinzas deste ano, uma placa de granito desabou sobre uma estudante que passava pela rua…

Seis placas desabaram da varanda de um prédio no Leblon, Zona Sul do Rio, e atingiram a jovem, de 20 anos, que sofreu traumatismo craniano.

Mas por que essas placas se soltaram?

Primeiramente, vamos entender o que é o sistema construtivo de fachada.

O sistema de revestimento corresponde ao acabamento final de uma edificação, sendo a parte que se apresenta mais visível, com a finalidade principal de proteção de paredes externas.

A função protetora é a que mais se destaca pela sua importância, pois visa resguardar as superfícies a serem revestidas contra os agentes facilitadores da deterioração. Dentre esses agentes, podem ser citados: a infiltração de água de chuva, água do solo, água de uso e/ou de manutenção, além da ação de ventos, temperatura e umidade do ar, ação de fungos, ataque de roedores e outros agentes de carga, de uso e de sobrecarga.

Além disso, o revestimento também cumpre a função estética, ligada ao conforto visual, envolvendo ainda questões de gosto pessoal, vindo a se constituir em um verdadeiro elemento de valorização do empreendimento.

Vamos entender quais elementos constituem uma fachada desse tipo.

Em primeiro a base que é constituída pela alvenaria ou estrutura de concreto e tem como função dar suporte às camadas posteriores.

Depois temos o chapisco é uma camada de argamassa fluida constituída exclusivamente de cimento e areia e tem como função gerar maior aderência entre a base e as camadas posteriores.

Por cima do chapisco temos a camada do emboço é constituído de argamassa mista também composta de cimento e areia, porém com uma composição diferente. Tem como função regularizar a base (alinhamento e prumo) e servir de suporte para o assentamento das peças decorativas.

A finalização estética é feita por placas decorativas em pedras naturais ou industrializadas, como as cerâmicas.

Para o assentamento das placas decorativas são utilizadas argamassas colantes que são constituídas de aglomerante, agregado miúdo e aditivo que deverão conferir a fixação das peças decorativas ao emboço.

Para regularizar as superfícies entre as bordas das placas são usadas argamassas de rejuntamento que têm a função de proporcionar uma superfície regular e ajudar na estanqueidade do revestimento.

E, por fim, um elemento muito importante são as juntas de dilatação, que são juntas projetadas para aliviar as tensões provocadas pela movimentação da alvenaria ou do próprio revestimento, assim como as movimentações decorrentes da deformação estrutural.

É importante observar então que uma fachada possui várias camadas, e que cada uma delas pode se tornar um ponto de falha e ocasionar uma ruptura.

O prédio da reportagem em questão foi construído em 1982, época em as normas possuíam tolerâncias diferentes das de hoje em dia e permitiam a instalação de pedras naturais em fachadas apenas com argamassa colante.

Porém, em 2010, a norma foi alterada para minimizar os riscos de queda das pedras exigindo-se sua fixação através de parafusos ou inserts metálicos.

Inspeções de fachada devem ser anuais!

Outro ponto a ser observado é a necessidade de inspeção da fachada anualmente, em que se deve verificar:

  1. Integridade da fachada: checar as condições da peça e do suporte que a sustenta.
  2. Segurança: verificar se há fissuras, desplacamentos do reboco adjacente, ou falhas aparentes.
  3. Estanqueidade: identificar a presença ou não de umidade e vazamentos na fachada, se o concreto apresenta algum ponto de corrosão da armadura, ou se há manchas que caracterizariam a presença de água.

Sempre que a inspeção identificar um dos problemas acima, os mesmos deverão ser mapeados e corrigidos por empresa especializada que contenha um profissional habilitado.

Um item importante é lembrar que os trabalhos em fachada implicam em risco de queda em altura do funcionário e, por isso, todos devem ser treinados adequadamente dentro das normas pertinentes, como a NR 35 do ministério do trabalho.

Quando esses cuidados não são executados, o sistema de fachada pode desenvolver patologias que não são visíveis de imediato e podem se deteriorar até que uma falha catastrófica cause um acidente grave, como o da reportagem. Mas para cada acidente grave, vários “quase acidentes” ocorrem sem que alcancem a grande mídia. Para mitigá-los, apenas com a inspeção e manutenção cuidadosa da fachada!

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Evento: Workshop Inspeção Predial na Prática!

Por que Inspeção Predial?

As formações de engenharia civil e arquitetura possuem muitas outras possibilidades além de obras e projetos. Uma delas é o trabalho de INSPEÇÃO PREDIAL.

A verticalização é um processo irreversível, que se acentuará ainda mais nos próximos anos. Além disso, em várias cidades, a inspeção predial já é uma obrigatoriedade legal, e está em estudo no congresso um projeto de lei que tornará a nacional a requisição da inspeção predial nos edifícios. E os profissionais que estiverem preparados sairão na frente!

A Inspeção Predial se aplica a todas as edificações edilícias (que possuem partes privadas e partes de uso comum) que compreendem prédios comerciais, residenciais, escolas, centros de compras, além de prédios públicos.

O que você encontrará no Workshop?

1.   Um evento 100% online! Você poderá participar de onde estiver!

2. O workshop é totalmente gratuito! Basta apenas você inscrever o seu email.

3. Serão palestras inéditas sobre temas que irão te auxiliar a entrar no mundo das inspeções prediais!

4. A equipe de instrutores possui profissionais que atuam na área de 12 a 25 anos! 

5. Vamos falar de temas atuais e as principais dificuldades de quem começa que você poderá colocar em prática imediatamente. 

6. Ao final do workshop, você terá acesso a um bônus muito especial!

A diferença entre vida útil e garantia! NBR 15575

A norma de desempenho fala de vida útil, mas também fala de garantia. Qual a diferença entre as duas?

Para entender melhor a durabilidade de uma construção, alguns conceitos devem ser explicitados:

VIDA ÚTIL DE PROJETO

Período estimado de tempo teórico para o qual um sistema é projetado a fim de atender aos requisitos de desempenho estabelecidos na NBR 15575, considerando o atendimento aos requisitos das normas aplicáveis, o estágio do conhecimento no momento do projeto.

VIDA ÚTIL

Período de tempo em que um edifício e/ou seus sistemas se prestam às atividades para as quais foram projetados e construídos, com atendimento dos níveis de desempenho previstos na NBR 15575, considerando a periodicidade e a correta execução dos processos de manutenção especificados no Manual de Uso, Operação e Manutenção.

GARANTIA

É o período de tempo previsto em lei que o comprador dispõe para reclamar dos vícios (defeitos) verificados na compra de produtos duráveis, correspondentes ao período de tempo em que é elevada a probabilidade de que eventuais vícios ou defeitos em um sistema, em estado de novo, venham a se manifestar, decorrentes de anomalias que repercutam em desempenho inferior àquele previsto.

Portanto, vários fatores interferem na durabilidade de uma edificação, como o uso correto do prédio e suas partes, a constância e efetividade das operações de limpeza e manutenção, alterações climáticas, níveis de poluição no local, mudanças no entorno do edifício ao longo do tempo (trânsito de veículos, obras de infraestrutura, expansão urbana, entre outros).

O valor real de tempo de vida útil será uma composição do valor teórico de vida útil de projeto somado às influencias das ações da manutenção, da utilização e da sua vizinhança. As negligências no atendimento integral dos programas definidos no manual de uso e operação, bem como ações anormais do entorno, irão reduzir o tempo de vida útil, podendo este ficar menor que o prazo teórico calculado como vida útil de projeto.

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